domingo, 4 de junho de 2017

ODISSEIA - CANTO 1: TELÊMACO


HOMERO, ODISSEIA I

Tradução: Trajano Vieira

O homem multiversátil, Musa, canta, as muitas
errâncias, destruída Tróia, urbe sacra,
as muitas cidadelas e homens cuja mente
escrutinou, as muitas dores que amargou
no mar a fim de preservar o próprio alento
e a volta aos sócios. Não os salva, desejoso
embora: a insensatez – pueris! – os vitimou,
pois Hélios hiperônio lhes recusa a luz
da volta, morto o gado seu que eles comeram.
Começa desse ponto o canto, musa olímpica!
Não há um só herói que não se encontre agora
em seu solar, a salvo do mar cinza e guerra,
tirando o nosso, onírico da esposa e volta.
Calipso, ninfa augusta, déia entre as divinas,
desejou seu consórcio em gruta profundíssima.
Mas quando, no circungirar dos dias, chega
a data em que os eternos mandam que retorne
a Ítaca, nem mesmo então acaba o apuro,
com que sonhava o amigo. Os numes lamentavam,
menos Posêidon, rancoroso de Odisseu
divino, até que aporte em seu país de origem.
O deus do mar estava nos confins etíopes,
onde os mortais compunham duplo ajuntamento,
nos extremos do oriente e no ocidente extremo,
touros e ovelhas crepitando em seu louvor.
Sentado se deleita, enquanto os outros deuses
reuniam-se no alcácer do Cronida olímpio.
E o pai magnânimo falou antes dos outros,
rememorando o altivo Egisto, trucidado
pelo jovial Orestes, prole de Agamêmnon.
Eis a recordação de sua palavra eterna:
“Ah!, os mortais freqüentemente nos inculpam
do sofrimento que autoimpingem, sem notar
que a dor é fruto da transposição do fado,
feito Egisto, transpositor do próprio fado,
seu enfado, larápio da mulher do Atrida:
assassinou o herói em seu retorno, nada
valendo o alerta que os divinos lhe enviaram,
por intermédio de Hermes, núncio olhiagudo:
‘Suspende o plano ou morrerás nas mãos de Orestes,
quando, crescido, venha reaver seu reino!’
Hermes falou, mas não tocou seu bom conselho
Egisto, vitimado pelo próprio equívoco”.
Então lhe respondeu Atena de olhos glaucos:
“Ó pai, filho de Cronos, magno entre os olímpios,
é mais do que justíssimo que Egisto morra,
como seria se outro lhe seguisse o exemplo,
mas é por Odisseu que o peito aperta: sofre
a moira amarga longe de quem lhe é tão caro,
ilhado pelo salso mar no umbigo oceânico,
na ínsula dendroarbórea, onde reside a deusa
filha de Atlante, pleniatento, que do mar
inteiro sabe os ínferos, e o colunário
sustém, cindindo, enorme, a terra e o mar talásseo.
Ela retém o herói em lágrimas na ínsula
com afago na fala que enfeitiça, a fim
de que deslembre Ítaca, mas Odisseu,
saudoso da fumaça que o terreno pátrio
exala, quer morrer. Teu coração não vibra
de comoção? Acaso descumpriu o herói
ritos na vastidão troiana junto a naves
argivas? Odisseu instiga o ódio teu?”
O adensa-nuvens lhe responde: “Que palavra
escapa, Atena, da clausura dos teus dentes?
Como eu me esqueceria de um herói divino
cujo intelecto brilha, magno em oferendas
aos imortais, que habitam a amplidão urânica?
O problema é que o abraça-terra se enfuria
sempre por ele ter furado o olho único
de Polifemo, par dos deuses, ás ciclópeo:
sua mãe é a ninfa Tóosa, cujo ancestre é Forco,
ampli-reinante no oceano infértil. Foi
na gruta funda que ela amou o deus do mar.
Não é que o abala-terra elimine o herói,
mas o mantém distante do rincão natal.
Devemos empenharmo-nos conjuntamente
na volta de Odisseu. Posêidon freia a cólera,
pois, solitário, como enfrentaria a unânime
decisão que os eternos tomem?" Olhos glaucos,
assim lhe respondeu Palas Atena: “Pai,
filho de Cronos, sumo entre numes fortíssimos,
se aos imortais é caro que Odisseu solerte
reganhe o lar, mandemos imediatamente
à ínsula de Ogígia o mensageiro Hermes
com um comunicado claro à ninfa, belas-
-tranças: é inquestionável a resolução
de que o herói sutil retorne para casa!
A Ítaca me vou a fim de reanimar
Telêmaco, acender-lhe o peito, não sem antes
convocar o conselho dos aqueus, cabelos-
-longos, para a expulsão dos pretendentes, todos
matadores de ovelha e gado, cornos-curvos.
O jovem deve obter na Pilo multiareada
e Esparta alguma informação do pai que volta.
Que a expedição o afame entre os mortais de estirpe!”
Disse e calçou sandálias áureas, ambrosíacas:
sopro de vendaval, com elas sobrepaira
as ondas úmidas e Géia-Terra, infinda.
A lança empunha, bronzigume, pesadíssima,
descomunal, maciça, com a qual se impunha
a fileiras de heróis, colérica de humanos.
Transpondo os píncaros olímpios, Palas desce,
paralisada frente ao pórtico do herói,
no umbral do pátio. Segurando aênea lança,
se assemelhava a Mentes, soberano táfio.
Remira os pretendentes nobres: jogam dados
à porta, por deleite; sentam-se nos couros
de bois carneados por suas próprias mãos. Arautos
e escudeiros fiéis depunham nas crateras
água e vinho; servindo-se de esponjas multi-
-porosas, houve quem limpasse as mesas, sobre
as quais os fâmulos talhavam muitas carnes.
Telêmaco deiforme a vê primeiro, ao lado
dos pretendentes, coração ensombrecido,
visão do pai gravada no íntimo, se acaso,
de volta ao paço, expulsasse os pretendentes,
senhor dos próprios bens, mantenedor da fama.
Era o que ruminava quando viu Atena,
em cuja direção avança ereto, triste
de o estrangeiro ser deixado à porta. A mão
aperta, o desarmando de sua lança brônzea,
enquanto faz com que ouça sua palavra alada:
“Benvindo, alienígena! Dirás o que
te traz, só quando te saciares de comida!”
Olhos azuis, Atena o segue quieta. Dentro
da sala abobadada ele depõe a arma,
escorada em enorme colunário, sólido
depósito, onde se podia ver um feixe
de inúmeras espadas de Odisseu solerte.
O trono ornado lhe oferece, recoberto
com pano, obra delálea; aos pés, um escabelo.
Sédia faiscante puxa para si, à margem
dos demais, pois temia que o hóspede perdesse
a fome ao som de prepotentes folgazões.
Também queria indagá-lo sobre o pai.
A ancila verte água de um gomil dourado
sobre a mão, de onde escorre na bacia prata;
a távola ofuscante aproximou dos dois.
Despenseira solícita lhes corta o pão,
alegre no serviço de iguaria opípara.
O senescal soergue o prato com as carnes
e escolhe aonde colocar as taças de ouro;
um arauto não tarda em reverter o vinho.
Os pretendentes entram sobranceiros; sentam-se
em tronos uns, outros preferem reclinar-se.
Em suas mãos, os fâmulos derramam água;
em canistréis repletos servas trazem pães.
Atiravam as mãos sobre os manjares prontos.
Saciada a gana de beber e de comer,
um outro anseio lhes remonta ao peito: a dança
e o canto, adornos do banquete. Um serviçal
transfere a Fêmio a cítara pluribelíssima,
constrangido a cantar por quem tomara o paço.
Ressoam cordas preludiando o belo canto,
mas Telêmaco achega sua cabeça a Atena
olhos-azuis, a fim de que ninguém ouvisse:
“Estrangeiro, te agastas se eu me abrir contigo?
Só isso lhes apraz: a cítara e o canto,
fácil, quando se farta de comida alheia,
de um homem cujos ossos branco apodrecem
na praia chuva abaixo ou no oceano cinza.
Fora ele visto em Ítaca tornado, todos
prefeririam ter os pés bem mais ligeiros
a enriquecerem ainda mais de roupa e ouro.
Contudo a moira mísera o levou e nada
nos reconforta, nem se alguém disser que o viu.
Perdeu-se o dia do retorno de meu pai.
Permito-me solicitar tua franqueza:
quem és? De que cidade vens? Quem são teus pais?
Que nome tem tua nau? Os teus marujos vêm
a Ítaca por quê? Preferem que te chamem
como? Não creio que chegaste aqui a pé.
E me esclarece mais um ponto a mim tocante:
é a tua primeira vez em Ítaca ou meu pai
já te acolheu? Meu lar recebe muita gente,
pois que meu pai prezava o giro do convívio”.
Atena, olhos azuis: “Escuta o que dirá
alguém de coração aberto: o sábio Anquíalo
é meu pai, Mente é o nome que me deu. Sou rei
dos táfios, hábeis remadores. Aportamos
aqui em direção aos têmesos, falantes
de outra língua, transposto o oceano vinho, bronze
aceitam cambiar por ferro cor de fogo.
Fundeamos o navio à beira campo, longe
da urbe, sob a selva néia, porto Reitro.
Da hospedagem recíproca nos orgulhamos,
desde os primórdios, como atestará Laerte
que – dizem – se ausentou da pólis. Longes dores
amarga na campina, a velha serva dando-lhe
de comer e beber, quando a fadiga intensa
imobiliza as articulações infirmes
sobre a gleba fecunda onde viceja a vinha.
Nós acabamos de chegar, teu pai pensando
reencontrar aqui. Um deus talvez impeça
a volta de Odisseu, que não morreu; no vasto
oceano algum assunto o entretém, na ínsula
circum-talássea, onde silvícolas grosseiros
desconsideram seu desejo de partir.
Mesmo sem as prerrogativas do adivinho,
direi o que imortais arrojam-me no peito,
antecipando o que há de se cumprir: do sítio
natal não ficará por muito tempo longe,
mesmo se o retiver o ferro das argolas;
multi-sagaz, sobeja-lhe recurso ao mar.
Mas diz-me, coração aberto, só uma coisa:
És filho de Odisseu? Como cresceste tanto?
Direi que a testa é a mesma e que possuis olhar
tão belo quanto o dele, como a convivência
nossa permite-me lembrar, antes de Tróia,
onde, entre os magnos, liderava o contingente.”
Telêmaco prudente lhe responde: “Franco
serei em tudo o que eu disser ao caro hóspede:
minha mãe me assevera que sou filho dele,
mas ignoro: ninguém conhece ao certo a própria
ascendência. Pudera ser o filho de homem
feliz, cuja velhice colhe entre os haveres!
Do ser que mais carece de uma boa estrela,
já que me indagas, todos dizem que descendo.”
Atena: “Deuses não quiseram que a linhagem
a que pertences fosse obscura no futuro,
pois que surgiste do regaço de Penélope.
Mas abre o peito ao responder o que pergunto:
que comilança é essa? De onde vem a turba?
Não te incomodam? Comemoram esponsais?
Dão a impressão de petulantes esfaimados
na sala. Alguém equilibrado sentiria
a si mesmo menor só de observar a pândega!”
Telêmaco lhe diz: “Parece ter havido
um tempo em que a morada foi inatacável
e rica, enquanto aquele encabeçava Ítaca.
Os deuses hoje arvoram situação contrária,
fazendo dele o homem mais inencontrável.
Morto, caído em Tróia entre heróis amigos
ou no braço dos seus, concluída a guerra em Ílion,
eu não sofrera tanto. Os pan-aqueus teriam
erigido uma tumba, e o máximo renome
seria reservado ao filho no futuro.
Vazio de glória, as Hárpias se encarregam dele:
sem brilho e sem notícia, seu legado é a dor,
são os lamentos. Choro, além da perda, os outros
males que os imortais me destinaram: todos
os nobres governantes de ínsulas situadas
em Samo ou em Dulíquio ou em Zacinto arbórea,
ou que dirigem Ítaca rochosa, todos
cortejam minha mãe, dilapidando o alcácer.
As núpcias vis não é capaz de refugar
ou de aceitar, e, banqueteando-se, eles põem
a perder o solar; em breve, a mim também.”
Atena, conturbada, retomou a fala:
“Infeliz! Vejo a falta que te faz o pai
para meter a mão na gente descarada.
Se ele nos pórticos do paço despontasse,
elmo, escudo, empunhando lanças duplas, tal
qual me foi dado vê-lo na primeira vez
em casa, onde sorvia alegre o vinho, vindo
de Éfira, da morada de Ilo mermerida,
(a nau veloz do herói chegara ali atrás
do veneno homicida com que ungisse a ponta
dos flechaços de bronze, sem sucesso: Ilo
não dera por temor aos deuses sempivivos,
mas meu pai, que o queria muito, não negara);
se os pretendentes vissem-no assim, o travo
nupcial e a moira abreviada eles teriam.
Mas nos joelhos dos deuses a questão repousa,
se, em sua volta, vingará o lar ou não;
sobre teu caso, exorto que reflitas como
expulsarás do teu solar os perdulários.
Deves considerar agora os meus conselhos:
à aurora de amanhã reúne heróis aqueus,
a quem, em bloco, falarás – invoca os deuses!
Os pretendentes, cada qual retome a vida,
e se tua mãe sonhar em se casar de novo,
que ela volte à mansão do pai megapotente,
onde prepararão o casamento e inúmeros
dotes que acharem mais por bem lhe oferecer.
Eis o que mais sugiro: no batel melhor
da frota com vintena de remeiros, parte
atrás de pistas que te levem a Odisseu.
De duas uma: ou de um mortal escutas algo,
ou do Cronida, cuja voz afama alguém.
Por Pilo principia, onde Nestor governa,
depois, Esparta, atrás de Menelau, o louro,
o derradeiro vestes-brônzeas a voltar.
Se ouvires que ele vive e que retorna a Ítaca,
suporta a dura espera, mesmo se de um ano,
mas se ouvires que já morreu, erige um túmulo
tão logo chegues, ricas oferendas fúnebres,
muitíssimas, concede, e um novo esposo à mãe!
Quando não mais houver questão pendente, indaga
a ti mesmo, rumina o coração e a mente
sobre o modo melhor de eliminar em casa
a corja de chupins, se à bruta ou se iludindo-os.
Deixa de criancices que não és criança!
Ignoras que o divino Orestes se afamou
em toda Grécia ao trucidar o algoz do pai,
Egisto, homem ladino, matador do herói?
Pois te equiparas a ele em porte e vigor físico:
hão de louvar os pósteros o teu rompante!
os pósteros irão louvar o teu rompante!
Devo tornar à nau veloz, onde os marujos
me esperam impacientes. Apegado ao meu
conselho, de ti mesmo ocupa em pensamento!”
Telêmaco retoma, reflexivo: “Hóspede,
teu coração é pródigo em conselho amigo,
como sói ser de pai ao filho. Não olvido.
Sei que urge a viagem, mas me dói que vás sem banho
reconfortante e ânimo no coração,
sorrindo no retorno e me aceitando os dons
de monta, rútila recordação de mim,
conforme quem hospeda aos hóspedes oferta.”
A deusa de olhos glaucos: “Peço que não queiras
que mude os planos meus, pois eu preciso ir;
presentes que me dás de coração, mantém
contigo até que, em minha volta, eu pare aqui,
quando, cambiando bens, terás minhas relíquias.”
Atena ganha a altura de uma ave, não
sem antes incutir coragem em seu peito
e reavivar-lhe a imagem de Odisseu, mais nítida
do que jamais. Recolhe-se a si mesmo o jovem
estarrecido, sabedor de que era um deus.
Buscou os pretendentes, símile divino.
Calados, escutavam o cantor notável,
como Atena impusera ao contingente aqueu
o retorno lutuoso das lonjuras tróicas.
À câmara de cima chega a voz do aedo,
ouvida por Penélope, filha de Icário,
que desce da alta escadaria, não sozinha,
mas com as duas fâmulas sempre solícitas.
Diante dos pretendentes, a mulher divina
estanca rente ao botaréu do teto altíssimo,
encoberta por véu translúcido, dedáleo,
uma ancila postada à esquerda, a outra, à destra.
Pranteava ao se voltar para o cantor divino:
“Fêmio, conheces muitos outros feitos de homens
e de imortais que encantam as platéias, célebres.
Escolhe um deles, que, em silêncio, todos te ouvem
sorvendo o vinho: pára o canto lutuoso
que dói no coração como um punhal bigúmeo;
o sofrimento incontornável me domina,
pois nunca deixo de rememorar o rosto
de um herói, cuja glória ecoa em Argos, na Hélade”.
Telêmaco respira fundo e então pondera:
“Por que vetar que o aedo nos deleite, mãe,
se a mente dita o canto? Poetas não têm culpa,
mas Zeus é responsável: doa ao comedor
de pão, ao ser humano, o que lhe apraz doar.
Fêmio não é pior por referir-se à queda
dos aqueus: o homem mais aplaude o poema inédito
ressoando em seu ouvido. O coração e o ânimo
é necessário encorajar para escutá-lo,
pois não só Odisseu privou-se do retorno,
mas numerosos gregos mortos pelos tróicos.
Retorna a teus lavores no recinto acima,
à roca e ao tear; ordena que as ancilas
façam o mesmo, pois ao homem toca, a mim
sobremaneira, responsável pelo alcácer,
o apalavrar.” Surpresa com o tom da fala
do filho, a rainha sobe ao quarto, resguardando
no coração o linguajar sensato. Ao íntimo
do tálamo tornada, só com as escravas,
carpia pelo herói, por Odisseu, até
que Atena verta o sono doce em suas pálpebras.
Rumor dos pretendentes toma a sala escura:
idêntico o desejo de ocupar seu leito.
Telêmaco pondera: “Altivos pretendentes
de Penélope, não será a melhor postura
entregar-se à balbúrdia quando se festeja!
Nada é mais belo do que apreciar poeta
da projeção de Fêmio, símile dos numes.
Convoco a todos para o encontro de amanhã
na ágora, quando deixo claro o que decido:
fora daqui, provai manjares preparados
em vossos lares, alternando a hospedagem!
Mais fácil e melhor pareça a vós de um só
continuar a consumir haveres fartos,
adiante! Invocarei os bem-aventurados,
caso o Cronida me conceda retribuir:
inultos morrereis no interno do palácio.”
Antínoo proferiu então, filho de Eupites:
“Algum dos deuses fez de ti um verdadeiro
agorarca, falante desabrido na ágora.
Que Zeus não te conceda o reino da circum-
talássea Ítaca, de que és o justo herdeiro.”
Telêmaco pondera: “o tom que utilizei,
Antínoo, te agastou? Ah!, fosse meu o trono,
mas com o aval de Zeus! Acaso consideras
que reinar é o pior do que pode ocorrer
a alguém? Ser rei não é um mal em si, se o paço
enriqueceu, merecedor de honores máximos!
Nos arrabaldes de Ítaca não faltam príncipes
aqueus anciãos e moços, bons para mandar,
depois da morte de Odisseu, mas não pretendo
abrir mão de fazer de mim senhor do alcácer,
dos serviçais, butim que me legou meu pai!”
Toma a palavra Eurímaco, filho de Pólibo:
“Nos joelhos dos eternos a questão repousa,
quem reinará em Ítaca circum-oceânica:
mantém os teus haveres e o comando em casa.
Sou contra alguém que te espolie dos bens domésticos,
enquanto a cidadela abrigue gente. Egrégio
Telêmaco, só gostaria de saber
com quem falavas. De onde o estrangeiro disse
ser? Onde se situa a terra de ancestrais?
Trouxe notícia do retorno de Odisseu,
ou veio só pensando em surrupiar vantagens?
Sua pressa não nos permitiu entabular
conversação. Não tinha ares de plebeu.”
Telêmaco: “Eurímaco, não conto mais
com o retorno de Odisseu. Não levo a sério
os núncios, venham de onde venham, nem mais prezo
a fala do profeta, sempre vindo ao paço
por solicitação de minha mãe Penélope.
O estrangeiro é um hóspede ancestral de Tafos,
filho do renomado Anquíalo, chamado
Mentes, o rei dos táfios, filo-remadores.”
Assim concluiu, ciente de que era imortal.
Voltaram-se ao deleite da poesia e dança,
à diversão que prenunciava o anoitecer,
e, enquanto divertiam-se, escurece a noite.
O sono leva cada qual ao próprio paço.
No andar superior recolhe-se Telêmaco
ao belíssimo quarto de paredes altas,
muitíssimas questões ao dirigir-se ao leito.
A seu lado Euricléia, fiel e atenta filha
de Opes pisenoride, iluminava os passos:
Fora Laerte que a comprara entre os haveres,
na flor da idade, vinte bois valendo, símile
da cara esposa, tão benquista ela era em casa,
mas nunca sua mulher, que a sua se enciumara.
O jovem abre a porta do elegante tálamo;
sentado ao leito, despe a túnica finíssima
e a depõe sobre os braços da anciã cordata,
que a dobra e alisa com apuro. Aposta em gancho
à beira-leito pespontado, a serva então
sai do recinto: puxa a porta pela argola
prateada, estica o loro do ferrolho. Pan-
-noturno, sob o velo de uma ovelha, pensa
no caminho a trilhar por sugestão de Atena.


Odisseia - Canto 1: Telêmaco

O tema escolhido para uma reflexão deste breve comentário é a posição de prestígio social de Telêmaco, conferido pela “fama”, em relação ao seu pai, Odisseu, tal como é sugerido no Canto 1 da Odisseia.
Resumidamente, o referido canto inicia com os deuses reunidos em assembleia. Zeus é questionado pela queixa da deusa Palas Atena, por ter se esquecido de Odisseu. A deusa lembra que o herói perdera-se a caminho de casa, o reino de Ítaca, após a guerra de Troia. Odisseu furou o único olho do ciclope Polifemo, filho de Posêidon e a ninfa Tóosa. Como vingança, o colérico Posêidon mantém Odisseu longe da terra natal sem o destruir. Atena vai a Ítaca, onde encontra Telêmaco desolado, por desconhecer o paradeiro do pai e, pela ausência deste, não se sentir merecedor da fama dos heróis. A esposa de Odisseu, Penélope, é cortejada pelos pretendentes, aos quais a julgam viúva, procurando esposá-la. Estes vivem como parasitas no reino de Odisseu, jogando dados, embriagando-se e banqueteando.
É preciso salientar que, logo a partir do início do poema, Homero põe todas as cartas sobre a mesa, sem esconder nenhum trunfo na manga. Além do presente único, puro e perpétuo, onde tudo se passa em um primeiro plano, sem profundidade e perspectiva, de que nos fala Erich Auerbach, sobre o estilo homérico, outra característica apontada pelo teórico fica patente: a clareza. Portanto, nas palavras do autor de Mimesis, reconhece-se: “(...) representar os fenômenos acabadamente, palpáveis e visíveis em todas as suas partes, claramente definidos em suas relações espaciais e temporais. Não é diferente o que se dá com processos internos também deles nada deve ficar oculto ou inexprimido” (AUERBACH, 1976, p. 3). Esta célebre caracterização da poesia homérica, por Auerbach, tinha por contraponto o Velho Testamento, dada as raízes judaicas do teórico. Segundo o autor, o estilo parcimonioso do épico hebraico, que, tendo por pressuposto um Deus oculto, sem rosto, dá margem à perspectiva e profundidade dos fatos e da psicologia dos personagens, e contrasta frontalmente com a riqueza sintática, vocabular, geográfica etc., do estilo cristalino de Homero. Tal comparação ajuda-nos a compreender o estilo homérico. “De um lado, fenômenos acabados, uniformemente iluminados, definidos temporal e espacialmente, ligados entre si, em interstícios, num primeiro plano; pensamentos e sentimentos exprimidos; acontecimentos que se desenvolvem com muito vagar e com pouca tensão. De outro lado, só é acabado formalmente aquilo que nas manifestações interessa a meta da ação; o restante fica na escuridão” (Idem, p. 8 e 9).
Esta caracterização estilística merece algumas considerações referentes ao contexto sócio-cultural em que a tradição evidenciou. De modo inverso ao Velho Testamento, conforme Auerbach, a função da poesia homérica não é a de expor a verdade - histórica (arqueológica) - e, sim, o lazer, embora isso não destitua seu caráter religioso. No caso dos hebreus, a verdade do passado mítico tinha de ser real por causa da promessa de Deus, da Terra Prometida e do fim dos tempos. Essa necessidade de realização não era pertinente para a teologia helênica.
Se o lazer era o catalisador da poesia homérica, seria importante caracterizar o contexto da execução performática apropriado às configurações formais da épica de Homero. Para nós modernos, situados no limiar do século XXI e de uma possível “odisseia no espaço”, é muito difícil compreender o contexto cultural da épica na Grécia arcaica. Para isso, seria necessário um exercício imaginativo que se abstivesse de uma longa tradição da escrita e de recursos de comunicação de alta tecnologia e extremamente recentes, como o rádio, o cinema e a internet. Porque, para os antigos, da Idade do Bronze, essa realidade, obviamente, era inimaginável. Estes dispunham apenas da palavra, isto é, da oralidade, já que na época dos heróis, precedente a Homero, não havia escrita na sociedade helênica; nem por isso deixaram de criar um repertório cultural riquíssimo e sofisticado.
            É neste contexto que a figura enigmática de Homero e seus poemas têm de ser inseridas. Algumas questões são bastante conhecidas, como a tradição aristotélica dos gêneros literários, que consagrou a épica à narrativa de homens superiores e feitos heroicos. Também os recursos da forma poética, em Homero, para transmissão oral, recentemente, foi muito estudada (Parry e Lord). Evidentemente, alguns aspectos técnicos da poesia oral devem ser levados em conta, até mesmo por questões de memorização e transmissão da extensa narrativa em versos que ganharam, por isso, a conotação, ainda hoje, de grandeza sugerido pelo adjetivo “homérico”. Algumas dessas fórmulas são muito conhecidas, como a métrica da composição em hexâmetros datílico, abundância de epítetos, repetições, estruturas circulares ou anelares etc.
Porém, estas questões passam ao largo da recepção da audiência durante a performance na execução da épica no universo sócio-cultural da Grécia arcaica. De um modo geral, o poema épico está ligado ao mito fundador formador de identidade de um povo grego. Por isso as questões de performance, isto é, em que ocasiões as canções eram recitadas, os registros de linguagem, os temas e as relações entre o poeta e o público (FORD, 1997), devem ser também consideradas para a caracterização formal do poema épico.
Sobre isso, o próprio texto homérico fornece indícios significativos. A performance não era executada numa situação estrita, bem marcada, como festas nacionais. Os poemas eram recitados ou cantados por aedos profissionais em “rituais específicos e ocasiões comunitárias” (idem), como casamentos, banquetes, simpósios, festivais religiosos etc., tendo por finalidade o entretenimento, que davam o tom de seu aspecto formal específico. Segundo Ford, os cantores apresentavam-se sozinhos, acompanhados por instrumentos musicais de corda. Porém, tais elementos não permitem conjecturas precisas. “Nem os contextos de performance, nem os seus requisitos formais, portanto, nos ajuda com mais do que uma definição geral da épica arcaica: podemos somente dizer que já em Homero era um tipo de  poesia tradicional não-mélica, que podia ser adaptada a muitas situações, mas não se identificava especialmente com nenhuma e, assim, sem um nome específico. O que mais obviamente distinguia a épica de outras formas não-mélicas em metros iâmbicos e trocaicos foram os temas de que tratava” (idem, p. 7).
O Canto 1 apresenta exemplo que bem poderia definir o contexto de performance associada à tradição épica.
Depois de se fartarem, os pretendentes dançam e Fêmio, o aedo, constrangido canta:

“ (...) Um serviçal
transfere a Fêmio a cítara pluribelíssima,
constrangido a cantar por quem tomara o paço.
(...) Calados, escutavam o cantor notável (...).
À câmara de cima chega a voz do aedo,
ouvida por Penélope, filha de Icário,
que desce da alta escadaria, não sozinha,
mas com as duas fâmulas sempre solícitas.
Diante dos pretendentes, a mulher divina
estanca rente ao botaréu do teto altíssimo,
encoberta por véu translúcido, dedáleo,
uma ancila postada à esquerda, a outra, à destra.
Pranteava ao se voltar para o cantor divino:
‘Fêmio, conheces muitos outros feitos de homens  
e de imortais que encantam as plateias, célebres.
Escolhe um deles, que, em silêncio, todos te ouvem
sorvendo o vinho: para o canto lutuoso
que dói no coração como um punhal bigúmeo;
o sofrimento incontornável me domina,
pois nunca deixo de rememorar o rosto de um herói,
cuja glória ecoa em Argos, na Hélade’.
(...) Voltaram-se ao deleite da poesia e dança,
à diversão que prenunciava o anoitecer,
e, enquanto divertiam-se, escurece a noite”.

            Nota-se que, neste caso, não há uma ocasião solene, de festividade nacional ou comemorativa de uma data histórica, mas apenas descreve uma situação em que os pretendentes, descontraídos, “passam o tempo” - sorvendo o vinho, jogando dados, dançando - no palácio de Odisseu. Penélope, ao entrar em cena, chora e lembra que o aedo Fêmio conhece um vasto repertório de temas épicos, tanto referentes a um deus como a de um herói que, entre tantos, poderia ser Aquiles ou mesmo Odisseu: “Fêmio, conheces muitos outros feitos de homens e de imortais que encantam as plateias, célebres. Escolhe um deles (...)”. A atitude da plateia é de atenção: calados, em silêncio, todos te ouvem. Aqui, parece caracterizar bem o contexto de performance da épica.
            Nesta passagem, confirmando Ford, também pode se perceber que Fêmio é um aedo profissional, especializado no gênero épico, portanto, inspirado por uma Musa, “que celebra a fama dos homens de antanho” (Hesíodo, citado por Ford). O fato de ele conhecer muitos feitos de homens e de imortais demonstra uma espécie de “divisão de trabalho”, definida pelas Musas, entre os poetas e cantores, que também tocavam instrumentos musicais durante a apresentação. O cantor épico cantava a glória (kléos) dos grandes feitos e heróis do passado.
            No que concerne ao fato aludido por Auerbach, em sua distinção entre o épico grego e o hebraico, de Homero ser um mentiroso - “As que nos contaram Hesíodo e Homero - esses dois e os restantes poetas. Efetivamente, são esses que fizeram para os homens essas fábulas falsas que contaram e continuam a contar”, diz Sócrates, em “A República”, de Platão - pode ser bastante relativizado. Se a promessa do Deus dos hebreus tornava imprescindível a veracidade factual dos heróis do passado, para o passado lendário, no caso da épica homérico essa não pode ter apenas um caráter de ficção, haja vista que Sócrates foi condenado por corromper a juventude. No entanto, não me sinto autorizado a entrar num terreno de tão difícil problemática, acerca das distinções teológica de culturas estranhas umas às outras. Mas Homero, quando invoca as Musas, simplesmente se deixa falar por elas, tal como uma revelação. O fato é que, segundo Ford, a invocação das Musas pelo aedo buscava conferir um sentido de “verdade” que marcadamente caracterizava a forma da poesia épica, porém, não só ela. A introdução do Canto 1 é bem significativa:

“O homem multiversátil, Musa, canta, as muitas
errâncias, destruída Tróia, urbe sacra,
as muitas cidadelas e homens cuja mente
escrutinou, as muitas dores que amargou
no mar a fim de preservar o próprio alento
e a volta aos sócios. Não os salva, desejoso
embora: a insensatez – pueris! – os vitimou,
pois Hélios hiperônio lhes recusa a luz
da volta, morto o gado seu que eles comeram.
Começa desse ponto o canto, musa olímpica!”

Para resumir, o lugar e a relação formal da épica com a realidade sócio-cultural subjacente a ela, Ford escreve que a “épica grega arcaica deve ser, portanto, definida por termos formais, temáticos e retóricos. Consistia numa longa canção executada por um solista em uma recitação rítmica; e narrava com autoridade das Musas os feitos dos deuses e dos heróis antigos. Os temas tratados na épica, os “caminhos” que poderia tomar, eram extensos, mas categoricamente circunscritos numa concepção mítica de uma idade de ouro há muito perdida. As histórias eram apresentadas dramaticamente e sem pistas explícitas sobre como aplicá-las à vida do público” (Ford, p. 17).
Estas considerações, em que a glória (kléos) estruturava a narrativa dos feitos heróicos, ensejam uma reflexão sobre o personagem central do Canto 1, o jovem Telêmaco. Telêmaco é objeto de polêmica entre os estudiosos de Homero, por ser um adolescente. Mais especificamente sobre Telêmaco, “a caracterização dessa figura tem suscitado uma série de discussões, pela sua condição de jovem prestes a entrar na idade adulta: Telêmaco, ao contrário dos outros heróis homéricos que desempenham papéis de destaque, não é um homem feito” (MALTA).
Para alguns, o filho de Odisseu é um personagem sui generis no panorama de personagens estáticos da poesia homérica, pois apresenta uma evolução. Para outros, ao contrário, o desenvolvimento em Telêmaco já estava pressuposto em sua caracterização, não diferindo em essência dos demais personagens. Malta questiona a estaticidade dos principais personagens homéricos e sugere um meio termo entre essas duas posições. No caso de Telêmaco, o autor argumenta uma transição da infância para a idade adulta, suscitada pela visita de Atena. “Podemos afirmar então que a intervenção de Atena tem dois propósitos principais: estimular, através do furor e da reflexão incutidos, que Telêmaco abandone a passividade e se torne um realizador de atos e palavras; e fazer com que essa sua nova postura resulte na obtenção de seu kléos pessoal, que é uma confirmação do seu kléos familiar. Essa transformação, por sua vez (em curso na “Telemaqueia” e consolidada na segunda metade do poema), confunde-se com a sua passagem da infância para a idade adulta, com o estabelecimento de novas exigências e expectativas” (idem, p. 90). A idade adulta deve ser consagrada, para Telêmaco, pela fama que deve igualar ou superar a fama paterna.
O mote central se desenvolve numa cena típica de recepção. A deusa Atena disfarçada no estrangeiro Mentes, rei dos táfios, é recebida no palácio por Telêmaco, que realiza toda a etiqueta de hospedagem. Nisso, Atena relembra, a Telêmaco, Odisseu, afirmando que este vive, e que seu retorno significaria a vingança dos pretendentes de Penélope, que, como autênticos parasitas, desonram o lar do herói de Troia. Para mostrar familiaridade, a deusa conta o episódio das flechas envenenadas envolvendo Anquíalo, pai de Mentes, e Odisseu. A princípio, Telêmaco titubeia, talvez pela sua imaturidade, e chega a pôr em dúvida até mesmo sua filiação consanguínea a Odisseu quando indagado por Atena. Sua lembrança do pai não é física mas de seus feitos, de sua coragem. A deusa, por outro lado, retruca que o jovem assemelha-se muito, fisicamente, a Odisseu, e que não é da vontade dos deuses que linhagem deste caia em esquecimento. A incerteza mediante ao paradeiro de Odisseu impele Telêmaco a acreditar que ele não é merecedor de sua glória, mas, antes, da dor como legado de seu pai. Atena, então, para lhe incutir coragem, cita o exemplo de Orestes e o instrui Telêmaco a buscar notícias de Odisseu em Pilo e Esparta para, a partir disso, também conquistar sua própria fama. Ao partir, Atena manifesta sua divindade ao voar como uma pomba. O limitado leque de opções de Telêmaco, em relação aos pretendentes, resultam em apenas uma saída: matá-los, porque é exatamente este fim que lhe será reservado se por acaso um pretendente casar com sua mãe.
Fragmento do discurso de Atena:

“(...) O jovem deve obter na Pilo multiareada
e Esparta alguma informação do pai que volta.
Que a expedição o afame entre os mortais de estirpe!”
(...)
Se ouvires que ele vive e que retorna a Ítaca,
suporta a dura espera, mesmo se de um ano,
mas se ouvires que já morreu, erige um túmulo
tão logo chegues, ricas oferendas fúnebres,
muitíssimas, concede, e um novo esposo à mãe!
Quando não mais houver questão pendente, indaga
a ti mesmo, rumina o coração e a mente
sobre o modo melhor de eliminar em casa
a corja de chupins, se à bruta ou se iludindo-os.
Deixa de criancices que não és criança!
Ignoras que o divino Orestes se afamou
em toda Grécia ao trucidar o algoz do pai,
Egisto, homem ladino, matador do herói?
Pois te equiparas a ele em porte e vigor físico:
hão de louvar os pósteros o teu rompante!
os pósteros irão louvar o teu rompante!”
           
            De fato, há mudança nítida de postura em Telêmaco. O filho de Odisseu era inseguro e taciturno perante os pretendentes. No final, discursa destemido, surpreendendo até mesmo sua mãe. Sabe-se que não é mais uma criança e que, para se tornar adulto e digno de sua ascendência nobre, deve buscar sua própria fama. A visita de Atena é este ponto de inflexão, ao lembrar-lhe da estirpe de Odisseu.


BIBLIOGRAFIA
AUERBACH, E. Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental. São Paulo: Perspectiva, 1976.

FORD, A. Epic as genre. In: MORRIS, I.; POWELL, B. (Org.) A new companion to Homer. Leiden: Brill, 1997, p. 396-414.

HOMERO, Odisseia, (Tradução: Trajano Vieira). São Paulo: Editora 34, 2014.


MALTA, A. A linguagem fora de controle: o discurso de Agamênon no Canto 2 da Ilíada. Ordia Prima, v. 8, p. 25-49, 2011. 

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